Transição na geração de energia elétrica

Autoria: Fernando Barbalho e Sérgio Leite
15 de ago. de 2025
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Resumo

Esse Data Story analisa o estado atual da transição energética no país, especificamente no âmbito da energia elétrica. Para isso, desenvolvemos visualizações cartográficas de dados acerca da distribuição local das usinas geradoras de energia elétrica, levantando variáveis como matriz energética da usina, renovabilidade da matriz (ou seja, se a matriz utilizada pela usina seria renovável ou não), e operabilidade da usina (ou seja, se a usina está em operação ou em desenvolvimento). Também investigamos a quantidade de usinas por cada matriz (Solar, Hídrica, Fóssil, Eólica e Biomassa), e os valores de suas respectivas potências geradas.

Continue lendo o Data Story para descobrir os resultados e as conclusões dos nossos estudos!

Brasil: tradição renovável, futuro de baixo impacto

O Brasil sempre esteve à frente na geração de energia a partir de fontes renováveis. Durante décadas, grandes hidrelétricas foram o pilar da matriz elétrica nacional, garantindo uma participação limpa muito acima da média mundial. Essa tradição é um ativo valioso na corrida global para conter as mudanças climáticas.

Desde meados da década passada, o país entrou em uma nova fase dessa história. Em 2025, apenas 10% das usinas em operação utilizam fontes não renováveis, e entre os projetos em desenvolvimento essa proporção cai para 0,5%. O protagonismo passa para as fontes solar e eólica, que já representam 80% das usinas instaladas e alcançam 95% dos empreendimentos em desenvolvimento. Ao converter o número de usinas em potência instalada, a junção das fontes eólica e fotovoltaica representa cerca de 23% da capacidade instalada do país — o que já é bastante significativo.

Localização das usinas geradoras de energia elétrica

Em operação
Não renovável
Em operação
Renovável
Em desenvolvimento
Não renovável
Em desenvolvimento
Renovável
Biomassa
Eólica
Fóssil
Hídrica
Solar
Nuclear
Fonte: ANEEL (02/02/2025). Elaboração: Fernando Barbalho em 13/02/2025

Mais dados confirmam que a transição não é apenas quantitativa, mas qualitativa. O número total de usinas crescerá 16%, enquanto a potência outorgada aumentará 76% — impulsionada por usinas solares muito mais robustas, com potência média de 44 MW nos projetos, contra apenas 1 MW nas atuais.

Quantidade de usinas

Em operação
Em desenvolvimento

Potência outorgada (valores em milhões de KW)

Em operação
Em desenvolvimento
Renovável
Não renovável
Fonte: ANEEL (02/02/2025). Elaboração: Fernando Barbalho em 13/02/2025

A estratégia de transição brasileira tem aspectos de pioneirismo. Destaque ao programa PROINFA que atua no estímulo à nacionalização de empreendimentos da indústria de base de fontes alternativas. Um ponto importante das EOLs e UFVs ou da Transição em si é que as tecnologias propostas têm que ser de baixo custo e de replicação fácil. Ao migrar de grandes barragens para tecnologias mais distribuídas, o Brasil reduz impactos socioambientais e reforça sua contribuição para as metas climáticas.

O mapa da expansão solar

A expansão da energia solar redefine o mapa da geração no Brasil. Minas Gerais lidera com 35 GW em novos projetos solares, seguida por Bahia (24 GW), Piauí (21 GW) e Ceará (16 GW). Esses números refletem um avanço expressivo de estados com forte potencial para abrigar grandes empreendimentos fotovoltaicos, fortalecendo especialmente o Nordeste e parte do Sudeste como motores dessa nova etapa da transição energética.

A radiação solar destaca-se como uma fonte de energia renovável, sem causar danos ao meio ambiente. O Sol desempenha um papel fundamental na evaporação da água, contribuindo para a formação de reservatórios de rios e permitindo a geração de energia em hidrelétricas. Além disso, a circulação atmosférica impulsionada pela radiação solar possibilita a captura de energia eólica em parques eólicos. Essa abordagem sustentável ressalta a importância da energia solar como um recurso fundamental para a produção de eletricidade, aproveitando os elementos naturais de maneira eficiente.

Potência total outorgada por estado

Em operação
Solar
Em desenvolvimento
Solar
Potência em GW
Escala de cores legenda
102030
Fonte: ANEEL (02/02/2025). Elaboração: Fernando Barbalho em 13/02/2025

Se há avanços, há ainda pontos de preocupação. O Pará ilustra, de forma emblemática, os dilemas da mudança de paradigma. Lar das duas maiores hidrelétricas do país — Belo Monte (11 GW) e Tucuruí (8,5 GW) —, o estado não conta com novos projetos hídricos em desenvolvimento. Mais amplamente, a região Norte sitntetiza os desafios para as políticas públicas de geração e consumo de energia. Do lado da oferta, não há expansão significativa nem da fonte hídrica nem de alternativas renováveis. Ao mesmo tempo, muitas comunidades isoladas continuam carentes de soluções confiáveis e de baixo impacto ambiental para geração e distribuição de eletricidade.

Potência total gerada por estado

Em operação
Biomassa
Em desenvolvimento
Biomassa
Em operação
Eólica
Em desenvolvimento
Eólica
Em operação
Fóssil
Em desenvolvimento
Fóssil
Em operação
Hídrica
Em desenvolvimento
Hídrica
Em operação
Solar
Em desenvolvimento
Solar
Potência em GW
Escala de cores legenda
102030
Fonte: ANEEL (02/02/2025). Elaboração: Fernando Barbalho em 13/02/2025
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