Fogo e Fumaça em São Paulo: Insights e Reflexões

Autoria: Fernando Almeida Barbalho
1 de set. de 2024
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Resumo

Esse Data Story contém dados obtidos através do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). O estudo analisa os focos de queimadas registrados em agosto, com destaque para o comportamento atípico do estado de São Paulo. Mapas com dados georreferenciados mostraram que os incêndios se concentraram em áreas específicas, reforçando o caráter localizado do evento. A análise demonstra como a transparência de dados e a ciência de dados ajudam a entender quando, onde e quanto ocorreu, embora ainda sejam necessárias investigações adicionais para esclarecer as causas dessas queimadas.

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Em agosto, grande parte do Brasil foi impactado pelo fogo e pela fumaça que cobriram vastas regiões. No entanto, São Paulo apresentou um comportamento peculiar em relação às queimadas, e aqui entra o papel fundamental da transparência ativa do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE, da visualização de dados, da análise exploratória de dados e do geoprocessamento.

O portal BD Queimadas do INPE oferece dados detalhados sobre os focos de incêndio no Brasil. Através de filtros e gráficos interativos, é possível explorar os números e analisar os microdados (aqueles que registram ocorrências individuais, de forma desagregada) disponíveis para download. Uma ótima ferramenta de transparência para quem deseja aprofundar-se na análise dos incêndios.

O gráfico a seguir revela a evolução dos focos de queimada em cada estado ao longo de agosto. O que chama a atenção em São Paulo é o comportamento atípico: enquanto outros estados mostram padrões consistentes, São Paulo passou boa parte do mês sem grandes ocorrências, até que, nos dias 22 a 24 de agosto, a quantidade de focos de incêndio disparara.

Fonte: INPE, Elaboração: Fernando Barbalho

A anomalia de queimadas tem destaque, para o estado de São Paulo, em 23/08, quando foram registrados 1.886 focos de incêndio, um número que só fica atrás do Pará no período. Entre os dias 22 e 24 de agosto de 2024 ocorreram 72,6% dos focos de incêndio no estado.

Fonte: INPE, Elaboração: Fernando Barbalho

Outras estatísticas para o caso de São Paulo confirmam o comportamento incomum. O estado apresentou o maior coeficiente de variação entre os estados, o que indica uma dispersão significativa dos números de queimadas. Em outras palavras, o coeficiente de variação de SP indica que a quantidade de incêndios variou muito mais do que outros estados em relação à sua média de incêndios, causada por valores muito maiores que o habitual. Antes do pico anômalo, a média diária de queimadas era de 41 focos; depois, o número saltou para 112, indicando que o a quantidade de incêndios foi suficiente para quase triplicar a média diária de focos de incêndio.

Os mapas a seguir foram gerados utilizando dados georreferenciados e mostram a concentração de focos em regiões específicas durante o período de pico. Comparando os períodos, nota-se uma clara diferença na distribuição das queimadas, revelando que os eventos foram localizados e não seguiram o padrão usual de dispersão pelo estado.

Alta Densidade entre 22 a 24 agosto, baixa densidade: demais dias de agosto Fonte: INPE, Elaboração: Fernando Barbalho
Fonte: INPE, Elaboração: Fernando Barbalho

Apesar de as análises trazerem clareza sobre o "quando", "onde", "quanto" e "o que" aconteceu, ainda restam questões importantes a serem respondidas: quem ou que fenômeno natural está por trás dessas queimadas? Por que elas ocorreram? A resposta a essas perguntas exigirá investigações mais aprofundadas, possivelmente utilizando as mesmas ferramentas de ciência de dados que foram essenciais para entender o fenômeno até aqui.