Servidores que Mudam de Cargo
Resumo
Esse Data Story tem como objetivo a análise da mobilidade dos cargos públicos ao longo de 24 anos no Poder Executivo Federal. Para realizar a pesquisa, a ENAP utilizou apenas dados do Sistema de Administração Pessoal, SIAPE. As variáveis exploradas foram: tempo de permanência por cargos específicos; transições por nível de escolaridade; quantidade de mudanças de cargo, por indivíduo e por cargo.
Continue lendo o Data Story para descobrir os resultados e as conclusões dos nossos estudos!
No serviço público federal, a realização de concursos é uma prática comum para selecionar novos servidores e fortalecer a força de trabalho. No entanto, uma característica interessante do sistema é que muitos servidores, já em exercício, participam de novos concursos para mudar de cargo dentro da mesma estrutura do governo. Este estudo explora a mobilidade de cargos ao longo dos últimos 24 anos no Poder Executivo Federal.
Tempo de permanência analisando cargos agregados
Ao longo dos anos, a média de tempo de serviço dos servidores foi agregada por cargo. Os dados mostram que a média geral de tempo de serviço é de 10,2 anos, como indicado pela distribuição de cargos na Figura 1. Isso significa que a maioria dos servidores mantém seus cargos por um longo período.
Figura 1: Distribuição das médias de anos de serviço por cargoEmbora haja variações no tempo de serviço entre os servidores, a estabilidade é comum. As medidas de posição, como a mediana e a média, indicam que os tempos de serviço não são muito diferentes entre si. A mediana é o valor que separa a metade dos servidores que trabalharam mais tempo da metade que trabalhou menos tempo, e a média é o valor total dividido pelo número de servidores. Como esses dois números estão próximos, isso sugere que os tempos de serviço são parecidos para a maioria.
A Tabela 1 a seguir permite a escolha de cargos específicos, mostrando a média de trimestres que os servidores daquele cargo permanecem nele, a média de anos, e a quantidade de servidores.
| Cargo | Média de trimestres | Média de anos de servidores | Amostra |
|---|---|---|---|
| OPERADOR DE MAQUINA DE LAVANDERIA | 4,22 | 1,06 | 550 |
| TÉCNICO DE EQUIPAMENTOS MÉDICO-ODONTOLÓGICOS | 5,76 | 1,44 | 17 |
| ASSISTENTE JURÍDICO | 6,39 | 1,6 | 382 |
| AGENTE DE INTELIGÊNCIA | 7 | 1,75 | 66 |
| AGENTE DE ATIVIDADES ADMINISTRATIVAS | 7,55 | 1,89 | 11 |
| AGENTE DE SAÚDE | 7,93 | 1,98 | 14 |
| OPERÁRIO | 8,49 | 2,12 | 51 |
| OFICIAL DE INTELIGENCIA | 9,35 | 2,34 | 734 |
| TÉCNICO NÍVEL MÉDIO | 10,37 | 2,59 | 52 |
| AUDITOR FISCAL DA PREVIDÊNCIA | 13,02 | 3,26 | 143 |
Tempo de permanência analisando cada indivíduo
Quando analisamos cada servidor individualmente, o tempo médio de serviço continua parecido com o tempo médio por cargo, que é de 10,28 anos. O desvio padrão, que é uma medida que mostra o quanto os tempos de serviço variam em relação à média, é de 5,77 anos. Isso significa que, na maioria dos casos, os tempos de serviço dos servidores não se afastam muito da média, indicando que a maioria permanece em seus cargos por bastante tempo.
| Média de anos | Desvio padrão | Quantidade de servidores | Quantidade de cargos ocupados | Cargos por servidor |
|---|---|---|---|---|
| 10,28 | 5,77 | 514.385 | 525.293 | 1,02 |
Mudança de Cargos: Frequência e Padrões
Ao longo dos anos, o número de servidores que mudaram de cargo variou, com o maior número de mudanças acontecendo em 2014, ilustrado na Figura 2.
Os cargos listados por quantidade de saída para outros cargos constam na Tabela 3 a seguir.
| Cargo | Saída |
|---|---|
| Assistente administrativo | 4.679 |
| Agente administrativo | 1.780 |
| Professor do ensino básico, técnico e tecnológico | 1.218 |
| Técnico de laboratório | 1.131 |
| Auxiliar de administração | 937 |
| Técnico de tecnologia da informação | 879 |
| Assistente técnico | 854 |
| Oficial de chancelaria | 831 |
| Tecnologista | 797 |
| Técnico do seguro social | 774 |
Para aqueles que mudaram de cargo, o tempo até a primeira mudança foi, em média, de 3,47 anos. A mediana é o valor que divide nossa amostra em duas partes iguais quando organizamos todos os tempos de mudança em ordem. Esse número que nos diz que, para metade desses servidores, a primeira mudança aconteceu dentro de 2,25 anos, o que significa que essas mudanças tendem a ocorrer relativamente cedo na carreira.
| Mínimo | Quartil 1 | Mediana | Quartil 3 | Máximo | Média | Desvio padrão |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 0,25 | 0,75 | 2,25 | 4,5 | 23,25 | 3,47 | 3,81 |
Quantidade de Mudanças de Cargo
A Tabela 5 fornece uma visão geral do número de mudanças de cargo ocorridas durante todo o período analisado. Os resultados mostram que a maioria dos servidores (92,9%) não muda de cargo depois de assumir um. Aproximadamente 6,4% dos servidores mudaram de cargo uma vez, e apenas uma pequena fração mudou de cargo mais de uma vez. Os dados são apresentados da seguinte forma:
| Mudanças | Quantidade | Proporção |
|---|---|---|
| 0 | 477.882 | 92,9 |
| 1 | 33.123 | 6,4 |
| 2 | 3.205 | 0,6 |
| 3 | 166 | 0,03 |
| 4 | 9 | 0 |
Isso revela que mudanças de cargo são relativamente raras no serviço público federal, com a maioria dos servidores permanecendo em seu cargo original.
Transições de Cargos por Nível de Escolaridade
A Tabela 6 apresenta as transições de cargos de acordo com o nível de escolaridade. As categorias analisadas são “Auxiliar”, “Intermediário” e “Superior”. Os dados indicam que a maior parte das transições ocorre dentro do mesmo nível de escolaridade, mas há também uma quantidade significativa de transições de níveis intermediário para superiores.
| Transição | Quantidade | Percentual |
|---|---|---|
| Auxiliar - Auxiliar | 85 | 0,2 |
| Auxiliar - Intermediário | 84 | 0,2 |
| Auxiliar - Superior | 14 | 0,04 |
| Intermediário - Intermediário | 8.125 | 20,4 |
| Intermediário - Superior | 13.425 | 33,7 |
| Superior - Superior | 18.090 | 45,4 |
Este conjunto de dados sugere que há oportunidades de progressão de cargos uma vez que a pessoa já está dentro do serviço público.
Nota técnica
Todos os dados utilizados neste data story são originários do SIAPE – Sistema de Administração de Pessoal – do Governo Federal. Não foram usados os dados primários, mas a extração tratada e anonimizada disponível no Ambiente Remoto de Pesquisa hospedado pela Escola de Administração Pública - Enap.
Para garantir uma uniformidade de análise e verossimilhança dos resultados, diversos tratamentos forma aplicados aos dados. O primeiro tratamento aplicado foi a eliminação do estudo os servidores que já estavam em exercício antes do início das observações, ou seja, antes de março do ano 2000. Quando se faz isso, garante-se que não se está observando pessoas já no final da sua trajetória na carreira pública, impactando as demais medidas do estudo. Outro tratamento que se fez necessário – e mesmo assim é de conhecimento dos autores que não se conseguiu eliminar esse efeito por completo – foi ajustar a nomenclatura de cargos que sofreram mudança derivada de decisão judicial, negociações com o governo, entre outros motivos. Quando se torna efetiva a decisão de mudar o nome do cargo, não há um código unívoco de pessoa/vaga/cargo, de modo que é fácil confundir uma alteração desse tipo com uma transição entre cargos por meio de concurso público, que é o objeto de análise deste estudo.
Não há documentação estruturada disponível que permita fazer essas correções de forma mais assertiva, de modo que se buscou acompanhar a trajetória de cargo e órgão servidores no tempo para capturar esse fenômeno. Dois exemplos mais simples são os cargos de Oficial de Chancelaria e patentes militares, cujas progressões são normalmente registradas como mudanças de cargo no SIAPE. Exemplo mais difícil de ser observado diretamente é a transição do antigo cargo Fiscal de Defesa Agropecuária, que passa por um nome intermediário de Fiscal Federal Agropecuário e culmina em Auditor Fescal Federal Agropecuário. Como resultado desse ajuste, os nomes mais recentes dos cargos foram aplicados para todo o histórico do servidor enquanto estivesse no cargo.