CPNU - Mobilidade social

Autoria: Leandro Del Grande Claudio e Iara Viana
28 de nov. de 2025
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Introdução

O Concurso Público Nacional Unificado (CPNU) é uma iniciativa inédita do Governo Federal, lançada em 2024, com o objetivo de centralizar e racionalizar os concursos públicos para cargos efetivos na administração pública. Inspirado no modelo do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), o CPNU adota provas unificadas aplicadas em grande parte do território nacional, permitindo que, a partir de um único exame, os candidatos possam concorrer a diferentes órgãos e carreiras. A proposta busca ampliar a transparência, reduzir custos, democratizar o acesso e garantir maior equidade na seleção de servidores públicos federais.

Os editais do CPNU foram organizados por blocos temáticos, reunindo órgãos e carreiras afins, o que permite ao candidato inscrever-se em apenas um bloco, mas concorrer a diferentes cargos dentro dele. Essa sistemática amplia as possibilidades de classificação, já que o desempenho nas provas pode habilitar para mais de uma carreira. Além disso, o processo de inscrição incluiu o preenchimento de um questionário detalhado, que reuniu informações socioeconômicas dos candidatos.

Esses dados não só subsidiam a gestão do concurso e as políticas de inclusão, mas também possibilitam análises diversas e aprofundadas sobre o perfil dos inscritos e aprovados, como as realizadas nesta análise.

Objetivos

Esta análise tem como objetivo investigar a possível relação entre a condição socioeconômica dos candidatos e a faixa salarial dos cargos para os quais foram aprovados. Para isso, foi realizada uma análise de associação entre as seguintes variáveis categóricas: a) faixa de remuneração própria e faixa de renda domiciliar informadas pelo candidato no momento da inscrição; e b) faixa de remuneração prevista para o cargo aprovado (segundo o edital).

Foram conduzidas análises em três etapas: a) perfil socioeconômico dos inscritos a partir da avaliação da distribuição dos candidatos por faixa de remuneração própria e faixa de renda domiciliar; e b) comparação do perfil socioeconômico dos inscritos com o perfil socioeconômico dos aprovados; e c) comparação entre a faixa de remuneração própria e faixa de renda domiciliar declarada com a faixa de remuneração prevista no edital do cargo de aprovação.

Para aprimorar o rigor metodológico da análise e garantir uma comparação mais equitativa entre as faixas salariais, optou-se por focar nos dados referentes aos Blocos 1 a 7, que incluem apenas cargos de nível superior. O Bloco 8, destinado exclusivamente a cargos de nível médio, foi excluído do escopo principal deste estudo para evitar vieses que pudessem distorcer a relação entre remuneração prévia e aprovação em cargos de diferentes faixas salariais.

Considerando que, no CPNU, um mesmo candidato pode ser aprovado em mais de um cargo com faixas salariais distintas, a análise exploratória foi conduzida de duas formas: (i) levando em conta todas as aprovações obtidas, independentemente da faixa salarial do cargo, e (ii) considerando apenas o cargo de maior remuneração em que o candidato foi aprovado.

Para as análises de associação foram utilizados o teste qui-quadrado de independência para avaliar significância estatística, e o V de Cramer para medir a força da associação observada.

Ainda, para homogenizar e padronizar as comparações realizadas, tanto as remunerações previstas nos cargos dos editais quanto a remuneração própria dos candidatos e a renda domiciliar declarada foram classificadas em faixas. Os intervalos considerados foram:

  • Baixa - até R$ 2.824,00;
  • Média baixa - de R$ 2.825,00 a R$ 7.060,00;
  • Média alta - de R$ 7.061,00 a R$ 14.120,00;
  • Alta - acima de R$ 14.120,00.

Resultados

Perfil socieconômico dos inscritos

Para a análise dos inscritos, foram considerados apenas aqueles que realizaram o pagamento da inscrição ou eram isentos desta, totalizando 2.145.047 pessoas. Desse total, 1.364.031 responderam sobre sua remuneração própria, no caso de trabalharem, e 2.016.644 informaram a renda domiciliar.

A Tabela 1 apresenta esses resultados, desagregados segundo os blocos temáticos 1 a 7 (B1-7) e o Bloco 8 (B8), permitindo uma análise comparativa do perfil socioeconômico entre esses grupos de provas.

No conjunto geral, a análise da remuneração própria mostra que a maior parte dos inscritos se concentra nas faixas baixa (52,1%) e média baixa (37,6%), com apenas 8,8% na faixa média alta e 1,5% na alta.

Ao segmentar por blocos, observa-se que:

  • No Bloco 8, há uma concentração ainda maior nas faixas de menor remuneração, especialmente na baixa (85,4%), enquanto as faixas média alta e alta somam menos de 1%.
  • Já nos Blocos 1 a 7, embora também predominem as faixas mais baixas, há maior distribuição entre média baixa (45,6%) e baixa (40,9%), com proporções um pouco mais elevadas nas faixas média alta (11,6%) e alta (2,0%).

A análise da renda domiciliar revela um padrão semelhante: no total, predominam as faixas média baixa (40,9%) e baixa (36,8%). Contudo, ao analisar os blocos, verifica-se que:

  • No Bloco 8, a concentração na faixa baixa é marcante (59,1%), seguida pela média baixa (33,1%), o que reforça o perfil de menor renda familiar.
  • Nos Blocos 1 a 7, há uma distribuição mais equilibrada, com 44,6% na média baixa e 26,1% na baixa, além de participações mais expressivas nas faixas média alta (20,8%) e alta (8,5%).

Esses resultados indicam que, embora a maioria dos inscritos provenha de contextos socioeconômicos de menor remuneração individual e domiciliar, essa característica é ainda mais acentuada entre os participantes do Bloco 8, evidenciando um perfil mais vulnerável em termos de renda.

Tipo de renda Inscritos (geral) Inscritos (B1-7) Inscritos (B8)
Faixan%n%n%
Remuneração própria Alta20.5011,50%20.3122,00%1890,10%
Média alta119.3928,80%117.78811,60%1.6040,50%
Média baixa513.27737,60%464.88445,60%48.39314,10%
Baixa 710.861 52,10% 416.690 40,90% 294.171 85,40%
Total 1.364.031 100% 1.019.674 100% 344.357 100%
Renda domiciliar Alta127.1986,30%115.9368,50%11.2621,70%
Média alta322.90516,00%283.21420,80%39.6916,10%
Média baixa824.52140,90%608.12044,60%216.40133,10%
Baixa 742.020 36,80% 355.147 26,10% 386.873 59,10%
Total 2.016.644 100% 1.362.417 100% 654.227 100%

Remuneração própria e cargo de inscrição

Em seguida, analisa-se a distribuição cruzada entre a faixa de remuneração própria dos candidatos e a faixa de remuneração do(s) cargo(s) de inscrição. Aqui, ressalta-se três pontos: i) foram considerados apenas os inscritos nos blocos 1 a 7 (B1-7); ii) para os cargos com remuneração variável dependente de titulação acadêmica, foi selecionada para análise a menor remuneração, ou seja, aquela prevista sem titulação; iii) cada candidato pode aparecer mais de uma vez na análise, pois no CPNU era possível a inscrição para mais de um cargo, desde que dentro do mesmo bloco, conforme descrito na introdução.

A análise pode ser observada no Gráfico 1. Ele deve ser lido linha a linha: cada uma representa uma faixa de remuneração própria dos candidatos, e dentro dela os percentuais mostram como esses candidatos se distribuíram entre os diferentes cargos conforme a faixa de remuneração prevista no edital. Assim, a soma de cada linha é sempre 100%, permitindo comparar perfis relativos entre grupos distintos de candidatos.

Gráfico 1. Distribuição cruzada entre a faixa de remuneração própria com a do cargo de inscrição (B1-7).

Essa distribuição revela padrões claros de alinhamento e auto-seleção entre as faixas de remuneração própria e as faixas de remuneração dos cargos escolhidos. Entre os candidatos da faixa de remuneração própria baixa, observa-se que 47% concentraram suas inscrições em cargos de faixa média baixa, 34% em média alta e 19% em alta.

Entre os de faixa média baixa, o padrão se mantém, com 42% optando por cargos de média baixa, 35% por média alta e 23% por alta. Nos candidatos da faixa média alta, há um equilíbrio: 34% escolheram cargos de média baixa, 34% de média alta e 33% de alta. Por fim, entre os de faixa alta, 31% se inscreveram em cargos de média baixa, 29% em média alta e 40% em cargos de faixa alta.

Esse padrão reforça a tendência de que, à medida que aumenta a remuneração própria, cresce também a propensão a concorrer a cargos de maior remuneração. Em contrapartida, candidatos de faixas mais baixas tendem a se concentrar em cargos intermediários, possivelmente por percepção de maior viabilidade ou menor competitividade em relação aos cargos de remuneração mais elevada.

Perfil de renda dos aprovados

Em seguida, realizou-se a comparação entre a distribuição dos inscritos nos blocos 1 a 7 e dos aprovados por faixa de remuneração própria, o que revelou diferenças significativas. O Gráfico 2 apresenta, à esquerda, a composição percentual dos inscritos e, à direita, a dos aprovados. Observa-se que, entre os inscritos, a maior concentração está nas faixas baixa (40,9%) e média baixa (45,6%), enquanto as faixas média alta (11,6%) e alta (2,0%) têm participação reduzida.

Entre os aprovados, contudo, há uma mudança expressiva: a participação das faixas média alta (31,6%) e alta (4,7%) aumenta consideravelmente, enquanto as faixas baixa (14,3%) e média baixa (49,4%) perdem representatividade relativa.

Esses resultados indicam que, à medida que cresce a faixa de remuneração própria, aumentam também as taxas de aprovação. Em outras palavras, candidatos com maior nível de renda tendem a apresentar maior desempenho no processo seletivo, possivelmente refletindo diferenças de acesso a recursos educacionais, condições de estudo ou oportunidades de preparação.

Gráfico 2. Distribuição de inscritos vs. aprovados por faixa de remuneração própria

No caso da renda domiciliar, conforme mostra o Gráfico 3, o cenário também evidencia desigualdades marcantes entre inscritos e aprovados. Entre os inscritos, predomina a participação de candidatos das faixas média baixa (44,6%) e baixa (26,1%), enquanto as faixas média alta (20,8%) e alta (8,5%) têm participação mais reduzida.

Entre os aprovados, contudo, a composição se inverte parcialmente: há um aumento expressivo nas faixas de renda mais elevada, com 36,1% dos aprovados pertencentes à média alta e 22,1% à alta, enquanto a média baixa representa 33,4% e a baixa cai para apenas 8,3%.

Gráfico 3. Distribuição de inscritos vs. aprovados por faixa de renda domiciliar

Esses dados reforçam a evidência de que o contexto socioeconômico, medido tanto pela renda pessoal quanto pela familiar, possivelmente exerce influência relevante sobre as chances de aprovação no concurso.

Taxa de aprovados entre inscritos

Para complementar essa análise de composição, foram calculadas as taxas de aprovação por 1.000 inscritos, considerando aqueles que obtiveram ao menos uma aprovação, distribuídos segundo a faixa de remuneração própria e a renda domiciliar declarada. Esse indicador possibilita mensurar de forma padronizada as diferenças de desempenho entre os grupos socioeconômicos.

Os resultados revelam fortes diferenças no desempenho relativo entre os grupos. Conforme o Gráfico 4, candidatos com remuneração baixa apresentam a menor taxa de aprovação: apenas 4,40 aprovados a cada 1.000 inscritos. Entre os de remuneração média baixa, esse número sobe para 13,68 por 1.000, indicando uma melhora considerável. O melhor desempenho relativo é observado na faixa de remuneração média alta, com 34,53 aprovados por 1.000 inscritos, seguida pela faixa de remuneração alta, com 29,74 por 1.000. No agregado, o valor geral é de 12,62 aprovados por 1.000 inscritos.

Gráfico 4. Taxa de aprovados por 1.000 inscritos, segundo faixa de remuneração própria

Observa-se que candidatos de remuneração média alta têm um desempenho quase 8 vezes superior ao dos de remuneração baixa, enquanto os de remuneração alta apresentam resultado cerca de 7 vezes maior. Já os de remuneração média baixa atingem uma taxa aproximada de 3 vezes acima da faixa baixa. Esses contrastes evidenciam desigualdades acentuadas nas taxas de aprovação.

As diferenças também são constatadas quando a análise é feita pela renda domiciliar, como observa-se no Gráfico 5. Os candidatos da faixa baixa apresentam o menor resultado, com apenas 3,90 aprovados a cada 1.000 inscritos. Entre os de renda média baixa, a taxa sobe para 9,17 por 1.000, enquanto na renda média alta chega a 21,26 por 1.000 inscritos. O melhor desempenho é observado na faixa de renda alta, com 31,85 aprovados a cada 1.000 inscritos. No agregado, o valor geral é de 12,24 aprovados por 1.000 inscritos.

Gráfico 5. Taxa de aprovados por 1.000 inscritos, segundo faixa de renda domiciliar

Comparando os extremos, candidatos de renda domiciliar alta apresentam um desempenho mais de 11 vezes superior ao dos de renda baixa, enquanto os de renda média alta registram resultado cerca de 7 vezes maior. Já os de renda média baixa atingem uma taxa 3 vezes acima da faixa baixa. Assim como no caso da remuneração própria, esses resultados evidenciam desigualdades expressivas nas taxas de aprovação entre os grupos socioeconômicos.

Remuneração Própria e Renda Domiciliar vs. Remuneração Edital

A fim de verificar a relação entre a faixa de remuneração própria e a faixa de renda domiciliar declarada pelo candidato e a faixa de remuneração do cargo de aprovação prevista no edital, foram realizados o teste qui-quadrado de independência para avaliar a significância estatística e calculado o V de Cramer para medir a força da associação observada. Ressalta-se que foram consideradas exclusivamente as aprovações ocorridas nos blocos 1 a 7, tomando-se, em cada caso, apenas a aprovação relativa ao cargo com a maior remuneração prevista em edital. Os resultados podem ser visualizados na Tabela 2.

Tabela 2. Remuneração Própria e Renda Domiciliar vs. Remuneração Edital (B1-7)
Remuneração Qui-quadrado p-valor V de Cramer
Própria vs Edital (cargo mais alto)800,28< 0,00010,1763
Domicílio vs. Edital (cargo mais alto)416,89< 0,00010,1118
Remuneração própria

O p-valor indica que há associação estatisticamente significativa entre a faixa salarial do edital e a remuneração própria do candidato (vide Tabela 2). Já o V de Cramer (~0,18) sugere uma associação fraca para moderada, mas não desprezível.

O Gráfico 6 ajuda a responder a seguinte pergunta: dada a faixa de remuneração do cargo, como está distribuída a remuneração própria dos candidatos aprovados para ele? Verifica-se que à medida que a faixa de remuneração do edital aumenta, cresce a proporção de candidatos com remuneração própria mais alta (faixa alta e média alta) e queda da participação de candidatos de faixa baixa. Neste caso foi considerada apenas a aprovação para o cargo de maior remuneração para o gráfico, que visualmente é bastante parecido quando consideradas todas as aprovações.

Gráfico 6. Remuneração própria (% na faixa)
Alta:
acima de R$ 14.120
Média Alta:
R$ 7.061 a R$ 14.120
Média Baixa:
R$ 2.824 a R$ 7.060
Baixa:
abaixo de R$ 2.824
Renda domiciliar

Também foi identificada associação estatisticamente significativa entre a faixa salarial do edital e a faixa de renda domiciliar dos candidatos (Tabela 2). O V de Cramer (~0,11) revela que essa associação é mais fraca do que a observada para a remuneração própria. Apesar de a força da relação ser limitada, o padrão visual do Gráfico 7 sugere uma tendência clara: candidatos aprovados para cargos de maior remuneração no edital apresentam, em maior proporção, renda domiciliar mais elevada.

Gráfico 7. Distribuição de renda domiciliar por remuneração do edital
Alta:
acima de R$ 14.120
Média Alta:
R$ 7.061 a R$ 14.120
Média Baixa:
R$ 2.824 a R$ 7.060
Baixa:
abaixo de R$ 2.824

Conclusão

Os resultados apontam indícios de viés de seleção, na medida em que candidatos de menor renda tendem a concentrar suas inscrições em cargos intermediários, enquanto os de maior renda se mostram mais propensos a disputar cargos de remuneração mais alta.

Em todos os cenários analisados, foi identificada associação estatisticamente significativa entre a faixa salarial do edital e as variáveis socioeconômicas avaliadas.

  • Remuneração própria: apresenta relação fraca a moderada (V ≈ 0,18), sugerindo que candidatos aprovados para cargos mais bem remunerados tendem a ocupar posições com salários mais altos no momento da inscrição.
  • Renda domiciliar: também mostra associação (V ≈ 0,11), mas de intensidade menor, o que indica que o contexto familiar influencia de forma mais discreta na relação com o cargo aprovado.

O padrão observado reforça a hipótese de que a condição ocupacional prévia do candidato (se trabalha e quanto recebe) está mais associada à remuneração prevista no edital, no caso de candidatos aprovados, do que à renda familiar. Isso pode refletir a vantagem competitiva de quem já está inserido no mercado de trabalho com salários mais altos, seja pelo acúmulo de experiência ou maior capacidade de investir em preparação.

Além disso, é importante destacar que a renda, embora utilizada aqui como variável de análise, funciona como uma proxy de múltiplos fatores indiretamente observados, como nível educacional, tempo disponível para estudo, estabilidade financeira e acesso a recursos de preparação. Dessa forma, a associação entre renda e desempenho observado não deve ser interpretada de forma causal, mas como indicativa das desigualdades estruturais que condicionam as trajetórias dos candidatos.

Limitações da análise

  • Os dados de renda são autodeclarados, podendo estar sujeitos a erros ou vieses de resposta.
  • A análise não permite estabelecer relação de causalidade.
  • Não foram controladas outras variáveis que podem influenciar a aprovação, como escolaridade, idade, área de formação, região de residência etc.

Sugestões futuras

  • Incorporar variáveis adicionais (como nível de escolaridade, valor gasto com a preparação, região de residência etc.) para aprofundar a compreensão do perfil dos aprovados.
  • Acompanhar o perfil dos candidatos nomeados e que efetivamente tomam posse, permitindo avaliar se há diferenças relevantes em relação ao perfil dos aprovados em geral. Esse monitoramento pode indicar, por exemplo, se candidatos de alta renda aprovados em cargos de menor remuneração optam por não assumir, o que ajudaria a estimar, de forma preditiva, o potencial de chamadas de lista de espera. Caso contrário, abre espaço para investigar motivações como busca por estabilidade, identificação com o serviço público ou outros fatores associados ao ethos público.